O sol saiu, preparo-me, ponho a melhor roupa. Tudo bem que vou acabar tirando mesmo...
Que seja.
Checo a temperatura. Fria, porém suportável. Hoje nada dá errado.
Me afasto o máximo que posso. Bato na
passarela,
ôpa! É daqui mesmo.
Corro, o mais rápido.
Água, pingos,
respingos, água, onda, espuma, água...muita.
Agora já dá. Mergulho, de cabeça.
Choque térmico!
Literalmente um banho de sensações
infindas...
Sinto-me como a última água no deserto.
Todos me querem, tocar, usar, beber, mastigar de tanta vontade guardada. Vontade assimilada? Mata! Ai, essa vontade...
De repente sinto...mãos, mais mãos, bocas, línguas, pernas...!
Fico tentada a abrir os olhos, mas sei que terminaria, e isso não quero.
Arrepio!
Quem é você?
Aaai...
E você? ...Quem são vocês?!
Gemidos, exclamações...gritos!
Começo a me assustar... já não sei mais onde estou.
Subtamente, tudo cessa.
Vejo somente branco, daqueles que cegam.
Uma chuva de flores. Muitas flores caindo do teto...céu?
Apenas mais e mais.
Gérberas,
margaridas, rosas, violetas, tulipas, cravos, cerejeiras,
lírios, e muitas outras que eu não saberia chamar...de todas cores e formas.
Faço delas um colchão. Quanto perfume! Quanto charme, leveza...quanta alegria!
Rolo...não consigo parar, não consigo tirar esse sorriso do rosto...
Quão maravilhoso pode ser algo tão simples?
Ainda não é a hora de
abrir os olhos.
Apenas sinto.
Agora vejo-me em um quarto com apenas a luz de uma vela. Pequeno.
Não sei o que fazer. Não é confortável. Começo a entrar em pânico. Preciso fazer algo! Preciso sair daqui...mas, não há porta. Só há uma caneta, e um livro velho. Abro-o, não há nada. Sem perceber, me vejo desenhando...o que é? Uma porta. Uma chave.
Que se encaixam, e me levam pra fora...
Só vejo céu.
Nenhuma nuvem.
Apenas o sol. Não dói meus olhos.
Sinto que algo surge. Ouço uma voz. Parece você...aonde você está?!
"Aqui"
Seu sorriso! Aquele abraço...um beijo quente, outro molhado.
Agora eu posso acordar...
"Marina! Já tá na hora..."